Relatos de Guerra...

Trechos do diário de um tenente francês que lutou no front ocidental em 22 de agosto de 1914

“Quantas vezes, há dois anos, não ouvimos repetir: ‘Antes a guerra que esta perpétua espera!’ Neste voto, não há qualquer amargura, mas uma secreta esperança.
A guerra! De repente a palavra ganhou prestígio. É uma palavra jovem, toda nova, embonecada dessa sedução que faz reviver o coração dos homens. Os jovens dão-lhe toda a beleza de que estão plenos e de que a vida cotidiana os priva. A guerra é sobretudo para seus olhos a ocasião das mais belas virtudes humanas. Leia-se esta passagem de uma carta que nos escreveu uma jovem estudante de retórica de origem alsaciana: ‘A existência que aqui temos não nos satisfaz completamente, porque, embora possuamos todos os elementos de uma bela vida, não podemos organizá-los numa ação prática, imediata, que nos dominaria o corpo e a alma e nos lançaria fora de nós mesmos. Só há um acontecimento que pode permitir esta ação: a guerra.
É por isso que a desejamos’.”

BONNARD, Abel. Le Figaro (jornal francês), 1912.*
*Fonte histórica

Um trecho do diário de uma menina alemã chamada Piete Kuhr. Em 1914 Piete tinha apenas 12 anos e morava perto de Berlim com sua avó e seu irmão Willi-Gunter de 15 anos, durante a guerra Willi será obrigado a se alistar.

6 de agosto de 1914
/…/ Sem cessar passam pela estação tropas de soldados. Vêm em trens intermináveis. Uma vez contamos até cinquenta vagões em um só trem de mercadorias. Os soldados e os reservistas riem e cantam. Chegam exultantes e marcham exultantes. As mulheres da Cruz Vermelha distribuem entre os soldados café, limonada e sanduíches. /…/ Como ali faz muito calor, eu também bebi um pouco do café dos soldados. Bebi toda a xícara de uma só vez. Imaginei-me sendo um soldado muito bem servido e me senti muito feliz. /…/